Espírito Santo tem mais representantes no quadro nacional de arbitragem
Qual a receita para se tornar um árbitro do quadro da Confederação Brasileira de Basketball (CBB)? Primeiro de tudo é preciso dedicação. Foi se aplicando e estudando bastante que o trio formado por Tatiana Helena Zaupa, Vivian Junger Silveira e Emanuel dos Santos Pereira subiu mais um degrau na escalada por um lugar ao sol no mundo da arbitragem de basquete.
A conquista se deu após a realização da 12ª Clínica de Avaliação e Promoção – Teste para Árbitro Nacional, realizada no Estado entre os dias 25 e 28 de março. A nota oficial n. 052, da CBB, divulgando a lista dos aprovados foi publicada no dia 1º de abril.
Diante da divulgação da lista dos aprovados, a esperança em fazer o basquete capixaba evoluir é muito grande por parte dos árbitros capixabas. O primeiro a entrar para o quadro nacional foi Breno de Lima da Silva também este ano. Na mesma ocasião a árbitra Tatiana Zaupa fez o teste, mas sofreu um contratempo e não foi prontamente aprovada.
Mas na clínica realizada na última semana, o sonho de encarar grandes competições como oficial de pista foi concretizado.
Os três árbitros da Federação Capixaba de Basquetebol (FECABA) contam como foi essa promoção na vida deles.
- Como se deu a conquista dessa vaga de árbitro nacional?
Emanuel: Essa vaga se deu depois de muito esforço, de muita determinação, muitos feriados e finais de semanas treinando. Foi muito estudo de regras, muitos vídeos de jogos a que eu assistia várias vezes. A intenção era estudar a aplicação de regras e situações de jogo.
Vivian: A conquista dessa etapa aconteceu desde o primeiro momento que entrei em quadra. Tudo que construí na minha formação como oficial de pista culminou nessa realização. O tempo dedicado aos testes pré-promoção foi importante para me guiar na hora da prova e, claro, todo o incentivo do quadro de arbitragem local foi imprescindível para a motivação e dedicação.
Tatiana: Estou na Federação desde 1998, mas comecei a apitar em 2005, sempre buscando um espaço dentro do basquete. Já apitei o Campeonato Nacional Feminino. Hoje também sou diretora do quadro de árbitros da FECABA.
- O primeiro a conquistar o título de árbitro nacional foi o Breno, vocês acreditam que esse era um precedente que o ES precisava para que o basquete evolua ainda mais tecnicamente?
Emanuel: Com certeza a conquista do Breno foi de suma importância para compreendermos que o nosso basquete é muito bom tecnicamente. Mas é importante o aparecimento de árbitros de nível nacional para que sejamos vistos com outros olhos lá fora e não mais como um Estado que tem dois times no Novo Basquete Brasil (NBB), porém não tem árbitros de grande porte que ajudem, além de tudo, o esporte a crescer.
Vivian: O Breno nos abriu muitas portas, foi um exemplo a ser seguido por todos que almejavam este posto. Temos um quadro de oficiais forte e talentoso, e precisávamos de representantes de nível nacional assim como nossas equipes.
Tatiana: Com certeza, o Breno é um excelente árbitro, companheiro de quadra. Fizemos o teste juntos no Rio, mas tive alguns contratempos e não passei lá.
- O que leva uma pessoa a ser árbitro?
Emanuel: Antes de tudo o amor pelo esporte, pois não há nada que pague você apitar um jogo com ginásio cheio, é gratificante, é inexplicável.
Vivian: Adrenalina. O desafio é estar em quadra tentando interpretar as regras de acordo com as situações e ser o mais imparcial possível. Nós somos postos em xeque a cada segundo, a cada soar do apito e essa sensação de "perigo", nos alimenta!
Tatiana: Sou uma apaixonada pelo esporte. Quando mais nova eu jogava pela equipe da Escola Técnica e pelo Cenec. Fui convocada para a Seleção Capixaba em 1997 e 1998. Foi um orgulho para mim representar meu Estado. Desde então não larguei mais o basquete. Logo em seguida fiz o curso de arbitragem e me tornei oficial de mesa da Federação. Em 2005, a diretora de árbitros da época, Elaine Tagliaferre me convenceu a apitar e acabei gostando. Desde então venho buscando me aprimorar dentro da arbitragem. No esporte existem algumas funções como de técnico, jogador, dirigente e eu escolhi ser árbitra. Essa foi a forma que encontrei para atuar no esporte que eu tanto amo.
- Como foi receber a notícia de que vocês entraram para o quadro nacional de arbitragem?
Emanuel: Foi emocionante, foi um momento ímpar, foi único.
Vivian: Foi inesperado, foi muita felicidade, e, sobretudo, superação.
Tatiana: É um orgulho representar o Espírito Santo na arbitragem nacional. Este é só mais um objetivo conquistado e pretendo não parar por aí.
- Como foram os testes para essa promoção?
Emanuel: Foram três testes: prático, físico e teórico. O teste prático foi o teste onde nós tínhamos que demonstrar a nossa capacidade de administração a partida. Já no teste físico foi a nossa capacidade e condicionamento físico que foi colocada à prova com 10 minutos de testes. Iniciava com um ritmo de trote e depois ia aumentando gradativamente a velocidade. Por fim o teste teórico que tinha por finalidade avaliar nossos conhecimentos das regras e interpretações oficiais.
Vivian: Foram bem pesados, principalmente psicologicamente. Tive conversas duradouras com o Geraldo Fontana, que foram fundamentais para meu crescimento em quadra e pessoalmente. Motivação e superação ocorreram comigo. Me superei graças a ele e aos meus companheiros de apito. Sou muito grata a eles. Eles fazem parte desta conquista.
Tatiana: Os testes, de forma geral, foram tranquilos. Já conhecia o coordenador de arbitragem, o Geraldo Fontana. Difíceis mesmo foram os treinamentos para o teste físico, que é um pouco puxado, exige resistência física e psicológica.
- Emanuel, você ainda é jovem demais e já conquistou uma posição de árbitro nacional. Passa pela sua cabeça chegar aos quadros da FIBA?
Emanuel: Acho que não só pra mim, mas para qualquer árbitro o grande sonho é se tornar árbitro internacional da Federação Internacional de Basquete (FIBA). Para mim, isso além de um sonho é um grande objetivo que eu já estou trabalhando para que seja cumprido.
- Vivian, você é atleta de outra modalidade. Pensa em abandonar a modalidade e dedicar-se única e exclusivamente às arbitragens de basquete?
Vivian: Não. Da mesma forma que muitos árbitros se dedicam a atividades fora da arbitragem, eu também me dedicarei aos meus compromissos. Tudo será questão de organização.
- Tatiana, você já havia tentado antes, certo? Como descrever as duas sensações: a da decepção e a da conquista?
Tatiana: Com certeza não é fácil saber que não foi desta vez, mas com ajuda dos amigos queridos que conquistamos junto ao quadro de árbitros, eles me deram a maior força e voltei aos treinamentos e agora passei para o quadro de nacional junto com o Breno. Foi incrível.
- Além da arbitragem, vocês têm alguma outra atividade?
Emanuel: Eu estou cursando a faculdade de Fisioterapia e iniciando um curso de Inglês e Espanhol.
Vivian: Sou professora de Educação Física e atleta de rugby.
Tatiana: Eu sou professora, formada em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
PERFIL DE EMANUEL
Nome completo: EMANUEL DOS SANTOS PEREIRA
Data e local de nascimento: 29/08/1992, São Mateus/ES
Tempo de basquete como jogador (se jogou): 2004 a 2008
Tempo de basquete como árbitro: Desde 2008
Jogos importantes que já apitou: Campeonato Estadual 2009
PERFIL DE VIVIAN
Nome completo: Vivian Junger Silveira
Data e local de nascimento: 04/11/1986 – Vitória/ES
Tempo de basquete como jogador (se jogou): nunca joguei
Tempo de basquete como árbitro: 3 anos
Jogos importantes que já apitou: Finais dos Jogos Aberto do Espírito Santo em 2008; semifinal e final do Mini Masculino 2008; final do Municipal Feminino Adulto 2009; final do Estadual Mirim 2009.
PERFIL DE TATIANA
Nome completo: Tatiana Helena Zaupa
Data e local de nascimento: 19/06/1980 – Vitória/ES
Tempo de basquete como jogador (se jogou): joguei de 1995 a 2001
Tempo de basquete como árbitro: árbitra desde 2005
- Jogos importantes que já apitou: Olimpíadas escolares 2007 e 2009; Campeonato Nacional Feminino 2007 e 2009; Finais do Campeonato Estadual Masculino (Saldanha x Cetaf) desde 2006; Copa Bristol 2008.